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O governo decidiu
acabar com a
principal declaração
entregue hoje pelas
empresas ao fisco, a
do Imposto de Renda
da Pessoa Jurídica.
Para atender a ordem
de racionalizar o
sistema tributário
brasileiro, dada
pela presidente
Dilma Rousseff em
seu discurso de
posse, a Receita
Federal também vai
extinguir mais sete
documentos e adotar
medidas para
simplificar o PIS/Cofins.
Em entrevista à
Folha, o secretário
da Receita, Carlos
Barreto, disse que
várias declarações
não são mais
necessárias porque o
órgão já dispõe das
mesmas informações
por meio de sistemas
eletrônicos, notas
fiscais eletrônicas
e do Sped (Sistema
Público de
Escrituração
Digital).
"Não justifica mais
a gente exigir do
contribuinte uma
declaração sobre
algo que já temos",
afirmou. A mudança
pode ser feita
apenas com uma
instrução normativa.
Segundo Barreto, nas
próximas semanas, a
Receita dará início
à faxina com o fim
da DIF-Bebidas, que
traz informações
sobre a produção de
cervejas e
refrigerantes.
Hoje, o órgão já tem
um sistema que mede
a produção
eletronicamente, no
momento em que o
líquido é
engarrafado, o que
torna a entrega do
documento inócua.
Após a DIF, outras
sete declarações
serão eliminadas
gradualmente. A
previsão é que o fim
da declaração do IR
das empresas ocorra
em 2013 ou 2014.
Para as empresas,
reunir essa
documentação é
custoso. O IBPT
(Instituto
Brasileiro de
Planejamento
Tributário) calcula
que elas gastem 1,5%
do faturamento anual
com as chamadas
"obrigações
acessórias"
demandadas hoje pela
Receita.
A DIPJ é a mais
complexa. Inclui,
além do dados do IR,
informações sobre o
balanço das
empresas, pagamentos
de dividendos e de
apuração do IPI
(Imposto sobre
Produtos
Industrializados).
Elaborá-la uma vez
por ano leva em
média 200 horas de
trabalho mais 40
horas para a
revisão. Não
entregá-la, porém,
pode custar até 20%
do imposto devido em
multas.
"O custo é muito
elevado, pois cada
vez mais as
declarações exigem
uma maior quantidade
de informações. As
empresas necessitam
de diversos
profissionais",
afirma o advogado
Luciano Costa, sócio
da Pactum
Consultoria
Empresarial.
EXTINÇÃO
De acordo com
Barreto, não há no
radar do governo uma
reforma dos tributos
federais: serão
feitas ações
pontuais, como a
extinção da
declaração ou a
publicação de notas
públicas
esclarecendo dúvidas
de contribuintes.
O governo também não
pretende, segundo o
secretário, elevar o
rol de companhias
que poderão declarar
Imposto de Renda
pelo chamado lucro
presumido, que é uma
forma simplificada
para companhias
maiores. |